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Engenharia e Corrupção (ou vice-versa) (*)

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Pontos-Chave:

  1. O DNA e o modus operandi da corrupção; suas dimensões legal, econômica, política e, mesmo, moral vão sendo expostas e discutidas na sociedade.
  2. E a engenharia? Nada a discutir? Nada a dizer?
  3. Importante a iniciativa da Federação Nacional dos Engenheiros – FNE e do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo – SEESP de iniciar uma discussão sobre o tema.
  4. A 72ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia – SOEA, organizada pelo Sistema Confea/Crea e Mútua, que se reúne dentro em breve (Fortaleza-CE de 15 a 18 de SET próximos), é importante oportunidade para se reverberar e ampliar essa discussão.

Quase como o vento, ela pode ser sentida; seus efeitos percebidos… mas dificilmente é possível vê-la ou comprová-la. No Brasil, certamente desde Cabral. E, no mundo, pelos registros históricos,ela sempre esteve presente;em várias culturas e ao longo dos séculos.

Mas, no passado recente, resultado de denodado, célere e competente trabalho do Ministério Público e da Justiça (de 1ª instância) de Curitiba-PR, da Polícia Federal, e dos tribunais superiores (STF e TSE), o DNA e o modus operandi da corrupção estão sendo meridianamente expostos. Na Petrobras, em maior escala; mas, também, em várias outras instâncias e organizações federais, estaduais e municipais.

Com isso, suas dimensões legal, econômica, política e, mesmo, moral têm sido objeto de intenso debate que, certamente, balizarão a governabilidade, a democracia e a própria nação no futuro próximo.

E a engenharia? Nada a discutir? Nada a dizer?

Se engenheiros e empresas de engenharia (projetistas, de consultoria, empreiteiras, de serviços, etc), como se noticia,foram protagonistas de vários desses arranjos/processos, como interessados/beneficiários, vai-se constatando, também, por outro lado, que profissionais e empresas tornaram-se vítimas da “regra do jogo” (locução explicativa que se tornou jargão rotineiro!). Portanto, algo que seria bem mais enraizado e sistêmico.

E, nesse implacável redemoinho, é de se imaginar que a própria engenharia tenha sido vitimizada: Prioridades teriam sido alteradas, necessidades teriam sido forjadas, hierarquias teriam sido desrespeitadas, cargos teriam sido preenchidos não por competências profissionais e, mesmo, a “boa técnica” e as “boas práticas” teriam sido comprometidas ante prioridades do “objetivo maior” estabelecido pelas “regras do jogo”. Com isso, que perdas para a economia nacional!? Para a sociedade!? Para o povo brasileiro!?

Por ora, informações, análises, conclusões e propostas ainda incipientes. Mas essencial que, nesse processo de “passar o Brasil à limpo”, tais questões sejam esquadrinhadas na linha do que as mencionadas instituições públicas e inúmeras organizações da sociedade civil vêm fazendo para as dimensões legal, econômica, política e, mesmo, moral.

Esquadrinhadas e, desejavelmente, procurado definir-se alterações no modo de planejar, de projetar, de contratar, de executar, de gerenciar, e de manter e operar, de forma a minimizar os riscos de incidências de tais práticas.

E isso é tarefa nossa!

Nós, engenheiros. Nós, entidades representativas e fiscalizadoras da área.

Daí a importância, e deve ser saudada,da iniciativa da Federação Nacional dos Engenheiros – FNE e do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo – SEESP de reunir, nessa próxima quarta-feira, 9/SET/2015, em São Paulo, diretores dessas entidades e profissionais preocupados com o tema.

Iniciativa que, certamente, por ser reverberada e ampliada no evento maior da categoria, que reúne cerca de 1 milhão de profissionais no País: A 72ª “Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia”– SOEA, organizada pelo Sistema CONFEA/CREA/MÚTUA, que se reúne dentro em breve (Fortaleza-CE de 15 a 18 de SET próximos).

Oportunidades que não podem/devem ser desperdiçadas.

(*) Da série “Passando o Brasil à Limpo”: IX

 Frederico Bussinger
é ex-Secretário de Transportes de São Paulo; Presidente da CPTM e Diretor do Metrô/SP
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