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PERISCÓPIO 01: “Porto de Santos: Há o que comemorar lições a revisitar!”

Fredy foto  Frederico Bussinger

 

“Quando eu penso no futuro,
não esqueço o meu passado”
[Paulinho da Viola]

“Não pergunte o que seu país pode fazer por você;
Pergunte-se o que você pode fazer por seu país”
[John F. Kennedy]

O Porto de Santos movimentará cerca de 136 Mt em 2018; anunciou o Presidente da CODESP no encerramento da última “Santos Export”. Mais um recorde; mas este muito especial:

Ao iniciar seus arrendamentos, em 1995, ele vinha de movimentar 34 Mt no ano anterior; volume que dobrou em 9 anos (67,6 Mt – 2004). Em ritmo menor, muito devido à recentralização de poderes em Brasília, ele vai dobrar uma segunda vez em 14 anos: aumento médio de 5,7% a.a nesse quarto de século; mais que o dobro do crescimento do PIB brasileiro.

Para um porto que iniciou seu ciclo de reformas sob a pecha de ser “uma favela irrecuperável”, esse balanço comprova que mesmo uma referência da logística nacional, a quem o Brasil muito deve, Dr. Eliezer Batista, comete equívocos: em entrevista ao “Estadão” (17/JUN/1996) ele detalhou aquele diagnóstico: “Lá não existem mais nem condições físicas, e nem layout possível para recuperá-lo”.

Esse vaticínio, inclemente, teve seu lado positivo: foi o estopim e o impulsionador do “Projeto Santos-2000”; um roteiro estratégico preliminar para transformações no Porto. O CAP/Santos foi seu cadinho; mas dezenas de debates com a comunidade portuária e a sociedade da Baixada permitiu aperfeiçoamentos e engajamentos. Também detalhá-lo, como pelo “Programa de Arrendamentos e Parcerias”, até hoje o conhecido PROAPS.

Ainda durante a década de 90 foi assinada a maior parte dos contratos de arrendamento (que começam a ser renovados) e arrendada a maioria das áreas e instalações. Isso viabilizou investimentos privados em mecanização, automação e ampliação da infraestrutura que, associado a rearranjos institucionais e medidas operacionais e administrativas, resultou em expressivos ganhos de eficiência e custos.

Nesse alvorecer de novo governo o Porto, agora 4 vezes maior, padece com conhecido rol de gargalos e disfunções acumulados por soluções que ficaram só em promessas. Revisitar lições, más e boas, dessas duas décadas e meia, pode ser subsídio precioso para o novo ciclo. P.ex: i) mais que uma tecnicidade, planejar é essencialmente pactuar; ii) arrendamentos (de ativos) é importante, mas apenas um instrumento; iii) o setor privado tem o seu papel; trabalhadores, idem; mas o poder público não pode abdicar do que lhe cabe; e o óbvio iv) se a comunidade portuária santista foi capaz de transformar a “favela irrecuperável” no Porto que é hoje, não está qualificada para enfrentar os desafios do Século XXI?

Privatizar operações é fundamental. Regionalizar a Administração Portuária e escolher seus dirigentes por critérios de competência, também. Mas, seguindo a cartilha landlordista, o Porto de Santos clama por autonomia; governança sem a qual tais medidas aventadas e brandidas poderão ter alcance limitado.

Cred FRed out-18

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