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Porto também é cultura

 

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“Os homens lutam com mais bravura pelos seus interesses
do que pelos seus princípios”.
(Napoleão Bonaparte)

Alguns críticos dizem que seu enredo não é singular. Nem mesmo original. O certo, porém, é que a maioria dos que o viram, naqueles turbulentos anos-60, se encantaram; seja por sua delicadeza, por sua beleza, ou por suas lições: “Um dia; um gato” (01, 02, 03, 04), filme tcheco, premiado em Cannes/1963.

A história se passa em um vilarejo da Tchecoslováquia que recebe uma comitiva circense, da qual fazem parte um mágico e um gato que usa óculos. Este também possui poderes mágicos, e quando seus óculos são retirados o felino passa a enxergar as pessoas pelas cores que lhes definem a personalidade: Os mentirosos, hipócritas, ambiciosos, egoístas ficam roxos; já os ladrões, desonestos, são tingidos de cinzas; os falsos, desleais ficam amarelos e os apaixonados, vermelhos.

Na primeira apresentação do mágico ao público do vilarejo os óculos do gato são retirados, e a plateia, espantada por ver as pessoas tingidas de diversas cores, foge do local. No pandemônio, o gato desaparece. Um jovem professor pede ajuda às crianças do vilarejo para achar o animal; temeroso que ele (se ainda vivo) caisse nas mãos de homens inescrupulosos do vilarejo.

Ou seja: Uma fábula sobre o caráter humano observado por um gato, que só enxerga as pessoas pelo que realmente são. Os adultos consideram o gato uma ameaça; já as crianças o veneram.

Maquiavel foi mais ou menos contemporâneo do “descobrimento” do Brasil (ainda não havia, obviamente, Brasília!). Seu nome passou a história como sinônimo de maldade. Mas há controvérsias: Alguns dizem que, ao contrário, não se tratava de alguém que gestava e/ou praticava a maldade. Até, teria sido boa gente; sociável. Ao contrário, inteligente, perspicaz, apenas via, identificava e descrevia a maldade – da corte e da sociedade. Um precursor do gato?

Mais de 3 séculos depois o grande general, Napoleão Bonaparte, deu uma pista: “Os homens lutam com mais bravura pelos seus interesses do que pelos seus princípios”.

Contemporâneos de Napoleão, por algum tempo, em meados do Século XIX, e com um pouco mais de rigor analítico, Marx & Engels aprofundaram a explicação: A causa fundamental das ações humanas são interesses – em oposição às ideias políticas e morais abstratas.

Quando em suas lutas, a bandeira, pública, de médicos é a saúde (não salários e/ou condições de trabalho); dos professores a educação… da comunidade portuária (operadores, arrendatários, TUPs, investidores, etc) a redução do “Custo Brasil” e o desenvolvimento do País. Dos armadores, da comunidade ferroviária, da cabotagem, hidroviária e logística, também. De muitos dos executivos públicos responsáveis por essas áreas, e parlamentares envolvidos com tais causas, de igual forma.

O que diria Maquiavel; ou o que veria o gato se frequentassem algumas mesas de negociação, reuniões corporativas, seminários ou congressos onde a Lei dos Portos, os programas de concessão & PPP, as (diversas) reformas institucionais são cogitadas?

Em tempo: Psicanalistas nos ensinam que “o que não é explicitado não pode ser tratado!”.

Frederico Bussinger
é ex-Secretário de Transportes de São Paulo; Presidente da CPTM e Diretor do Metrô/SP
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