Brasil em Números

A Vitimização das Mulheres no Brasil – 2ª Edição

Lamentavelmente, apesar de maior conscientização da sociedade e dos esforços empreendidos, a violência contra a mulher se mantém estável e crônica. Estes elevados índices revelam que as leis, por si só, não têm o poder de transformar a realidade.

Enfrentar a violência contra a mulher exige romper muitas barreiras e, principalmente, rever os conceitos nocivos e arraigados de uma sociedade de origem patriarcal e machista, que mantêm meninas, jovens e mulheres em aterrorizante silêncio, vergonha e desconfiança naqueles que lhes deveriam dar proteção: a família, as autoridades e a sociedade. Inicia-se esta violência na juventude que vai se agravando na fase adulta. O autor da violência é normalmente alguém próximo da vítima: 76,4% dos agressores são conhecidos, sendo 39% parceiros e ex-parceiros e 14,6% parentes.

Esses dados, coletados após 2 anos da realização de pesquisa anterior, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP -, indicam que os índices de violência permanecem inalterados: para cada 10 mulheres, praticamente 3 ainda sofrem violência.

Embora a violência contra a mulher se materialize por um grande número de ações, tais como ameaça, tortura psicológica e física, agressão verbal, física e sexual, são principalmente as mulheres mais jovens e as mulheres negras as que mais são assediadas e agredidas. O feminicídio vem, muitas vezes, como ápice da tragédia.

 “A pesquisa dá voz às mulheres e torna visíveis violências sofridas no cotidiano dos espaços públicos de modo que 60% presenciaram agressões físicas ou verbais e 44% viram-nas sendo abordadas de forma desrespeitosas, além de presenciarem brigas entre homens por causa de ciúmes de uma mulher (31%)”. Ainda, 32% das mulheres receberam comentários desrespeitosos na rua e 8% foram assediadas fisicamente no transporte público, sendo a maior incidência de agressões contra adolescentes e jovens. Contudo, é na própria casa, “local que deveria ser o espaço de paz”, que as agressões mais graves ocorrem (42%).

Habitualmente as pessoas não tendem a ver o familiar ou companheiro como alguém capaz de cometer um crime contra a mulher.  Este agressor é alguém que se “descontrolou”, ou que foi “provocado “e reagiu. Quando esta pesquisa nos sinaliza que 23,8% das agressões eram realizadas por cônjuge, companheiro ou namorado, número que foi ampliado se considerarmos os dados da Pesquisa realizada em 2017 (19,4%), verifica-se que o algoz desta violência tem lugar, tem perfil, tem cara. Sabemos onde encontra-lo e, logo, como combate-lo. Há de se educar, conscientizar e sensibilizara percepção de relacionamentos abusivos desde o primeiro sinal.

Mas o que vemos é que nem mesmo o importante arcabouço legal, ou tampouco o aumento do número de denúncias – embora ainda bastante subnotificadas -, têm sido capazes de barrar ou fazer decrescer as ocorrências. A pergunta que tenazmente subsiste é: “O que autoriza os homens a agredir as mulheres?!”.

Ansiamos por um dia, numa sociedade mais justa, humana e igualitária, no qual homens e mulheres possam conviver em harmonia, criando filhos e filhas em amor e respeito por si próprios e pelos outros. Que possamos, em breve, colher esses frutos!

Abaixo, segue o link para acessar à Pesquisa completa:

http://www.forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2019/02/relatorio-pesquisa-2019-v6.pdf

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