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De gente que faz, para o Brasil que precisa fazer

 Frederico BussingerFrederico Bussinger

 

Ponto chave artigo 15-08-16

Talento (genialidade) é 1% inspiração e 99% transpiração”.
[Thomas Edison]

Res non verba
[Ditado latino: ação, obras, fatos… e não palavras]

O foco principal era a celebração do jubileu de prata da “Fundação Estudar”: entidade sem fins lucrativos, criada pelos empresários Jorge Paulo Lemann e seus sócios para financiar jovens talentos a estudar no exterior. Este ano foram recebidas mais de 60 mil inscrições para suas disputadas bolsas de graduação e pós-graduação. OBS: há uma outra entidade dedicada ao ensino básico.

A Fundação é um tipo de “Ciência sem Fronteiras” privada; desenvolvida ao longo do último quarto de século. É o testemunho, prático, da convicção do poder transformador da educação, e uma aposta na qualificação profissional como instrumento imprescindível para que o Brasil mude de patamar no concerto das nações.

Isso já seria suficiente para se engrossar o coro de congratulações!

Todavia, em meio a tantas entrevistas (01, 02, 03) e palestras, uma declaração acabou ficando em segundo plano: Lemann, o homem mais rico do Brasil (19º do mundo), definiu-se “apenas” como um sonhador. E, talvez reverberando Thomas Edison, atribui seu sucesso ao fato de ter se acercado de bons executores. Ou seja: de gente que sabe como fazer; e faz!

Para além da surpreendente modéstia (aparentemente sincera, pois ele disserta, consistentemente, sobre o tema!), há uma visão que mereceria profunda reflexão e pode ser de grande utilidade ao Brasil desses dias; quando buscamos caminhos para sair do mega-imbróglio em que estamos metidos. E, isso, tanto para o setor privado como, e principalmente, para os setores públicos.

Essa lição, parte de um “case” de inquestionável sucesso, poderia ser desdobrada em pelo menos 4 outras – mais específicas:

1) Planos, evidentemente partindo de uma clara visão do problema a ser resolvido e dos objetivos a serem alcançados, devem incluir tanto o “o que” como o “como”: limitá-los a dados, diagnósticos, ideias ou intenções é fadar os planos ao amarelar de prateleiras e gavetas. O “como” significa, minimamente, recursos necessários e governança. Quanto dinheiro temos gasto com planos mancos… principalmente no setor público? Ah! E não adianta usar a (falta de) “vontade política” como álibi!

2) Tão importante como o plano é seu processo de elaboração; o planejar. Grandes projetos, mesmo privados, envolvem inúmeros atores (“stakeholders”). Públicos, então… Por isso, na quadra atual, planejamento precisa ter menos a característica de uma tese e mais de um pacto.

3) Não foi explicitado nas entrevistas. Mas é certo que os processos decisórios, para tanto, precisam ser menos complicados, com responsabilidades bem definidas e mais previsíveis.

4) Por fim, a lição mais direta: meios e fins, produção e controle, execução e concepção devem, no mínimo, se equivaler (sob diversos aspectos!) nos processos decisórios e de gestão. Bons executores, ensina Lemann, é essencial para o sucesso. Enquanto prevalecerem controles sobre a execução/produção; as unidades-meio sobre as fins; o discurso (e/ou o powerpoint) sobre a ação/resultado nossas perspectivas não deverão ser animadoras.

Aliás, empreender, criar, só com palavras (“fiat lux”) é atributo divino… uma pretensão humana.

 

Consultor. Foi Secretário Municipal de Transportes (SP-SP) e Secretário Executivo do Ministério dos Transportes. Presidente da Companhia Docas de São Sebastião (CDSS), SPTrans, CPTM e Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CONFEA. Diretor da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), do Departamento Hidroviário de SP e do Metrô de SP. Presidiu também o Conselho de Administração da CET/SP, SPTrans, Codesa (Porto de Vitória), RFFSA, CNTU e Comitê de Estadualizações da CBTU. Coordenador do GT de Transportes da Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC-SP). Membro do Conselho Fiscal da Eletrobrás e da Comissão Diretora do Programa Nacional de Desestatização – PND.

 

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