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Desafios e soluções para o Porto de Santos (*)

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PERISCÓPIO Nº 202

Pontos chaves:

1) “Desafio” pode ser enganador: Por que não se dar nome aos bois?

2) Os problemas são razoavelmente conhecidos. Propostas há inúmeras (e, esse, um risco!).

3) Coordenar; pactuar é o caminho… imprescindível.


“O caso eu conto como o caso foi,
ladrão é ladrão, boi é boi”
[Paulo Cavalcanti]

O título desse articulete foi, também, o título (*) do 1º painel da 2º parte do Santos Export, realizada na última quarta-feira, tendo sido adiada em função do acidente que vitimou o Gov. Eduardo Campos, naquele trágico 13/AGO, quando a caminho do evento no Guarujá.

Palavras têm força. Se na moda, então…

Tenho restrições a “desafios” (tanto quanto a “situação”): Como são curingas para várias acepções, acabam informando pouco.

“Desafios” oblitera, escamoteia a existência de problemas; tanto quanto “estudos brasileiros” substituiu “problemas brasileiros”, uma disciplina curricular dos anos 60/70: Como? Afinal, o Brasil não tinha (não podia ter!) problemas!

Por outro lado, “desafios” aponta, apenas, para o futuro; desestimulando que se faça análises críticas do passado. E, finalmente, passa a mensagem de que “tamos juntos” (uma das interjeições da moda).

Que sejam dados nomes aos bois!

O Porto de Santos, a Baixada Santista tem, sim, vários problemas (tecnicamente falando). Muito deles, heranças de ações e inações do passado. O principal deles a (i)mobilidade, que afeta tanto a vida das cidades daquela Região Metropolitana quanto as logísticas que têm o porto como um dos elos de suas cadeias (01; 02).

Todos sabem, e o ratificaram os prefeitos das 3 principais cidades da região; incidentalmente em matéria de “A Tribuna”, promotora do evento, justamente naquele dia.

Esse é um dos problemas; muito provavelmente o principal.

O desafio? A matéria também dá pistas:

A Prefeita de Cubatão propõe a implantação de uma via expressa entre Cubatão e o Porto: Um tipo de “ponte de safena”. A do Guarujá o uso do canal como uma hidrovia para deslocar a carga da Barra para o “fundo do estuário”; e vice versa. Ou seja, o desenvolvimento de um modo alternativo. E o de Santos o deslocamento da carga, da Ponta da Praia para “Santos Continental” (meio caminho do “fundo do estuário”). Ou seja; priorizar ações para modificação da demanda (ou invés de apenas da oferta); reduzindo, ao menos, as toneladas-km

Soluções absurdas? Não! Fazem sentido. Possivelmente haverá necessidade de cada uma delas… em algum momento. A ser discutido, apenas, a relação benefício-custo… e os impactos (positivos & negativos) de cada uma.

O desafio é, assim, a coordenação das alternativas e dos encaminhamentos pois, se cada um seguir simplesmente brandindo sua proposta, o mais provável, como já mostrou sobejamente a história é que, no mínimo, a implantação de qualquer uma delas (ou de uma solução de compromisso), seja protelada por muitos anos!

O poder do raio laser está muito mais na colimação das suas ondas que na potencia de sua fonte!

Os problemas são conhecidos. Alternativas e propostas de solução também. Ou seja; o “o que” está mapeado.

O desafio está muito mais no “como”!

E, para tanto, a solução está essencialmente no planejamento (processo), mais que no plano (resultado): Planejar associando técnica e política; conhecimento e participação. Um planejamento como pacto.

Frederico Bussinger
é ex-Secretário de Transportes de São Paulo; Presidente da CPTM e Diretor do Metrô/SP.

 

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