Editorial

DIA DA TERRA

Comemora-se, mundialmente, em 22 de abril, o Dia da Terra.

Em 1970, há 50 anos, nesta mesma data, aproximadamente 100.000 pessoas ocuparam a 5ª Avenida, em Manhattan, New York, para protestarem contra a poluição, o derramamento de petróleo nos oceanos, a proteção a espécies em extinção, dentre outras preocupações ambientais daquela época. Simultaneamente, centenas de outras manifestações se espalharam por ruas, praças,  avenidas e nas universidades americanas, num enorme movimento em favor de um planeta mais limpo.

Estima-se que, aproximadamente 20 milhões de pessoas, totalizando 10% da população dos Estados Unidos à época, se mobilizaram naquele 22 de abril, dando origem ao Dia da Terra. Celebrado anualmente, passou a partir de 2009 a integrar oficialmente o calendário da Organização das Nações Unidas – ONU.

Nosso Planeta situa-se na via Láctea e integra o sistema solar, com seus movimentos de rotação e translação, sua massa e características de composição, dentre todas as outras que conferem à Terra características únicas.

Destaque-se aqui, o que nos toca por excelência: de todos os planetas somente a Terra possui condições favoráveis ao desenvolvimento e proliferação da vida.

Denominada biosfera, a “esfera da vida”, pode ser compreendida como o conjunto de todos os ecossistemas da terra. Neles estão presentes todas as condições necessárias para a vida de seres animais e vegetais.

Portanto, a conservação dos ecossistemas e a preservação da vida, estão diretamente ligadas às ações humanas, pelas inúmeras e diferentes formas de interação. “Nossas possibilidades biológicas nos permitiram interferir mais radicalmente do que qualquer outro ser vivo na superfície terrestre, interagindo com os diferentes biomas e com as diferentes espécies de seres vivos”. (B.P. Albuquerque, Fiocruz, 2007).

Assim é que o Dia da Terra, iniciativa de inspiração de ações que protejam o meio ambiente, realizada todo dia 22 de abril, neste ano acontece em meio a uma crise de saúde sem precedentes. Talvez como resultado de escolhas ambientais e sanitárias controversas, que vêm se repetindo em quantidade e agravamento. Fica, portanto, explicitamente confirmado que a ação do homem sobre a natureza tem também sido responsável pelos grandes desastres ambientais que vêm colocando em risco a vida, agora, em escala mundial.

Em meio a confinamentos inéditos em quase todos os países, sem possibilidade de comemorações públicas presenciais e, igualmente, contribuindo para frear os índices alarmantes da pandemia que hoje nos assola, em todo o mundo, inúmeras comunidades se unem aos ambientalistas para comemorar  o 50º aniversário do Dia da Terra que está sendo celebrado de modo virtual.

Neste ano, a Earth Day Network, organização que coordena o movimento, anunciou a transmissão durante todo o dia em seu site (earthday.org), de uma série de mensagens gravadas e lives com diversas personalidades como, por exemplo, o ex-vice-presidente Al Gore, o ator Zac Efron e o ambientalista Denis Heyes, que organizou o primeiro Dia da Terra. Segundo os organizadores, os eventos devem abranger perto de 1 bilhão de pessoas em mais de 190 países.

Importa lembrar, ainda, que o cuidado com as pessoas e preservação do planeta são ações cotidianas, devendo integrar e impregnar o nosso cotidiano. Não se trata mais da ideia romântica ou longínqua em considerar os ambientes naturais e construídos como lugares inatingíveis ou inabitados, longe de nossa atividade real. Estamos interligados e entrelaçados pelo presente e comprometidos por um futuro comum, onde quer que estejamos, quaisquer que sejam nossas ações.

Talvez o principal lembrete para este Dia da Terra tenha vindo do Vaticano. Nas palavras do Papa Francisco, ele alerta:  “Somente juntos e cuidando dos mais frágeis, podemos vencer desafios globais“. E complementa lembrando que a Terra não é um depósito interminável de recursos para explorar. “Pecamos contra a terra, contra nosso vizinho e, no final, contra o Criador”, afirmou o Papa.

 
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