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200 anos

Desenrolava-se a vida na Colônia, desde seu descobrimento, em grandes extensões de terra sustentadas pelo trabalho escravo. Cenário de grandes   desigualdades sociais, poucos se beneficiavam enquanto muitos sobreviviam.  Poucos negros livres, brancos pobres, mestiços, mamelucos e mulatos formavam a maioria da população. Apesar da pujança e riqueza da terra, seu desenvolvimento estava travado pelos excessos políticos, apoiado por mano militari e ancorado numa economia extrativista e mercantil que beneficiava a Coroa, impedindo qualquer progresso que beneficiasse o Brasil.

Desde a revolta dos Aimorés (1555/67), também em Palmares (1695), no gesto dos inconfidentes mineiros (1789), ressoando na conjuração baiana, entre tantas e tantos revoltas e movimentos libertários, expressava-se o inconformismo e o grito de independência que levou à morte muitos brasileiros. ‘O sertanejo é, antes de tudo, um forte’, nos lembra Euclides da Cunha, no solo defendido por Antonio Conselheiro e seus adeptos, em Canudos.

A organização urbana colonial, ainda que insipiente, estava à beira da exaustão por conta dos impostos, exploração e expropriação praticados pelos colonizadores. Realidade que pouco teria sido alterada não fosse o bloqueio continental imposto por Napoleão Bonaparte, ao proibir países europeus, incluindo Portugal, de realizarem comércio com a Inglaterra. Assim, para evitar a guerra, em 1808, a corte portuguesa muda-se para o Brasil transferindo para cá a sede da Coroa portuguesa. Imediatamente, decreta a abertura dos portos brasileiros a todas as nações amigas.

Esta medida, muito bem recebida pela aristocracia rural local, possibilitou a comercialização de produtos da colônia sem a intervenção portuguesa. Porém, significou muito mais. Era o primeiro passo em direção à ruptura do pacto colonial, rumo à independência política do Brasil.

Morre em 1816 a rainha D. Maria I e Dom João, aclamado rei, volta a Portugal, deixando no Brasil seu filho D. Pedro como regente do Brasil. Contudo, o espírito de liberdade já se espalhara pelo país. Eclodem vários movimentos emancipatórios, tendo grande repercussão a Revolução Pernambucana de 1817. Mas Portugal resiste! Tem lugar a chamada Revolução do Porto em 1820 que pede a retomada da colonização do Brasil. Várias medidas emanam de Portugal pressionando D. Pedro. Querem anular seus poderes políticos e administrativos. Querem forçá-lo a retornar. D. Pedro diz que fica ‘pelo bem do povo e bem-estar geral da nação’, em 9 de janeiro de 1822 – o Dia do Fico!

As notícias repercutem. Muitos se envolvem. Intelectuais, abolicionistas, empresários, homens e mulheres, negros, brancos e índios, se movimentam promovendo manifestações de desagrado. Abre-se uma crise no governo com a demissão de ministros fiéis à Corte. Novo ministério é formado tendo à frente José Bonifácio, partidário da emancipação brasileira. D. Pedro busca apoio em solo paulista. No trajeto de Santos à São Paulo, às margens do Riacho Ipiranga, recebe um correio de Portugal exigindo retorno imediato a Lisboa. Também recebe duas cartas, uma de José Bonifácio e outra de Dona Leopoldina aconselhando a não aceitar a ordem. Dom Pedro acata o conselho e num gesto de irresignação corta os vínculos políticos que ainda restavam com Portugal e declara o Brasil como país e nação independente de Portugal. Era 7 de Setembro de 1822!

Caminhamos nesses últimos 200 Anos! Nem sempre com a direção e a firmeza necessárias, mas há que se admitir avanços.

Temos muito do que nos orgulhar. A começar pela natureza exuberante, de norte a sul, de leste a oeste, que tanto encantou Cabral ao chegar aqui. Desse povo cordial, caloroso e hospitaleiro que sempre abre espaço para mais um em sua casa. Nosso cafezinho de todo dia e toda hora, principalmente depois do almoço; melhor ainda se o almoço for uma feijoada, regada à caipirinha!

Nosso futebol que nos conferiu um título único: o penta! Já a caminho do hexa, quem sabe ainda esse ano…Lembrar da nossa Amazônia, das matas exuberantes, da diversidade do serrado e do clima, que é frio no sul mas que esquenta no verão… Da profusão das flores e frutos, da explosão de sabores e cores que também se espalham na plumagem dos pássaros, na pele lustrosa do mico leão dourado, do macaco prego, da onça pintada que mora lá no pantanal.

Das estradas de São Paulo e de tudo que o homem construiu… da Brasília de Oscar Niemeyer, do Museu da Paulista da Lina Bo Bardi, do Museu do Amanhã de Santiago Calatrava, de Vital Brasil à vacina contra covid, que se aproveite a vida e o amanhã porque o futuro anda incerto… melhor passear e aproveitar este vasto e lindo litoral, jogar futevôlei e porque não um beach tennis…

Buscar no lastro dos últimos 200 anos os próximos 200 anos! Projetar um Brasil mais humano e mais fraterno, generoso como o sol que nos aquece, que nos leve ao crescimento e desenvolvimento, cumprindo nosso destino como nação… Que nos dirija para relações sociais mais estáveis, respeitosas, de igualdade e bem-estar, sem medo de sair às ruas, respeitando-se mais e melhor nosso maior patrimônio que é a nossa gente. ‘Brasileiros irmanados, sem senhores sem senzalas…

Valorizando a participação de homens e mulheres, lado a lado, como na histórica contribuição de personagens como nossa imperatriz Maria Leopoldina, austríaca de nascimento e brasileira por adoção; da Soror Joanna Angélica, da pescadora Maria Felipa, da baiana Maria Quitéria combatente que serviu às tropas do imperador pela causa da independência. Como as mulheres anônimas, guerreiras de tempos de paz, que fazem do cotidiano um tempo melhor. Cirandeiro, cirandeiro, jangadas ao mar…

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