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Triste Reflexão…

Bastante impactados com as notícias recentes, em diversas áreas sensíveis da vida brasileira, confesso que foi muito difícil escolher um tema para este Editorial.

A intenção primeira que vinha sendo preparada, era o destaque para o Dia Mundial do Meio Ambiente, data significativa para todos nós associados do Instituto. Desde sempre, há 26 anos, mesmo quando o assunto não era ainda tão popular, em todos os nossos trabalhos, os princípios de conservação ambiental e sustentabilidade sempre estiveram presentes. Assim, em comemoração ao Dia 05 de Junho, com alguns parceiros, para este mês, deflagamos algumas atividades.  Mas a notícia que chegou, já na segunda-feira dia 06, dando conta do desaparecimento do indianista Bruno Araújo e do jornalista inglês Dom Phillips, foi um balde água fria nos planos. Se já não se tinha muito a comemorar em face do crescente desmatamento, mineração ilegal, invasão de terras indígenas e de desordenamento urbano, a notícia inicial que já nos deixou perplexos, foi acrescida de detalhes violentos e desumanos, barbárie e crueldade, ao longo da semana. Ficamos chocados!

De igual modo nos deparamos com o alerta do noticiário que chamava a atenção sobre o crescente número de pessoas sem ter o que comer. Embora os dados da PNAD contínua março/2022 apontem o crescimento do número de pessoas empregadas, as manchetes das mídias retratam a triste situação enfrentada hoje por 33,1 milhões de pessoas que se encontram em situação de total insegurança alimentar. Mesma conjuntura enfrentada há 30 anos, tempo em que a recessão e a hiperinflação impactavam diretamente o custo de vida dos brasileiros.  Cresce o número de postos de trabalho, mas diminui a massa salarial dos que estão empregados, na mesma proporção que sobe o preço dos alimentos. Trama perversa da tragédia que continua tirando da mesa do trabalhador o prato diário de arroz com feijão já que, mesmo empregados, o dinheiro do salário acaba muito antes do final do mês.

Ainda, some-se aos funestos acontecimentos trazidos pelo noticiário desta última semana, aqueles que tiveram seu calamitoso início na semana anterior, quando em mais uma das cidades brasileiras se pode acompanhar em full HD deslizamento de morros que arrastavam residências causando morte e destruição por conta de trombas d’água. Mais 128 pessoas perderam a vida em meio à ocupação irregular sob os olhos complacentes do poder público, de forma similar ao ocorrido em janeiro deste ano em Franco da Rocha.

Relembrar aqui esses trágicos eventos tem a intenção de contribuir para que, definitivamente, não mais voltem a ocorrer. São demasiadamente dolorosos para ser banalizados, tornados corriqueiros ou continuem a se repetir, seja por descaso, maldade ou certeza de impunidade.

Tolerar essas perdas ou conformarmo-nos com essa realidade pode significar a perda de nossa própria humanidade.

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