Editorial

Editorial – Primavera

“Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos…” *

Antecedendo o verão e na sequência do inverno, inicia-se neste próximo 23 de setembro, a mais festejada das estações do ano: A Primavera!

Não é para menos! É a época do florescimento de várias espécies de plantas vestindo a natureza de flores coloridas, brindando-nos com a reprodução de muitíssimas espécies, numa profusão de cores, aromas e sabores. Porque a estação das flores também trás no seu bojo uma vasta gama de frutas, legumes e verduras. Ah! As alcachofras de sabor adocicado e carnudo…  lembram a manga rosa da qual se quer o doce e o sumo, melão maduro, sapoti, juá e o olhar profundo de uma morena tropicana.

Melancia, espinafres, laranja pera, jabuticaba e banana nanica que é daqui e não da Martinica. Isso tudo enfeitado por ipês amarelos numa festa de flores. Orquídea, margaridinhas, hibisco, violetas e a rainha de todas – a mais formosa!, a rosa, porque uma rosa é sempre uma rosa, principalmente vermelha.

Até o holandês Vincent Van Gogh, um tanto depressivo, ao chegar a primavera transformava-se em pintor de campos e flores capaz de produzir encantamento profundo com reproduções da natureza imortalizadas em suas obras.

campos bulbo

    O florescimento é o que anuncia e permite a época de reprodução de diversas espécies de árvores e plantas. A floração – transição do desenvolvimento vegetativo para o reprodutivo – provoca alterações significativas no padrão celular das plantas desencadeando o processo que gera os órgãos florais. Estes eventos que levam à produção das flores, chamados de “evocação floral”, traduzem-se no resgate voluntário feito pela memória genética que origina vida.

Esse é também o sentido do desenvolvimento humano, permitindo fazer brotar a plenitude das capacidades humanas. O melhor que o homem trás dentro de si mesmo, numa evocação de primavera, ansiando por tempos propícios nos quais a vida humana possa desabrochar em segurança.

“Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender.”

 

Assim como algumas plantas precisam de um sinal ambiental correto para florescer, nossa sociedade pode voltar a ser o campo fecundo que relembre onde foi que nos perdemos. Em qual esquina nos desviamos, entrando por atalhos desvariados que nos afastaram da convivência pacífica, do respeito ao outro e à propriedade, da ética e da solidariedade, da alegria do encontro.

Voltemos, pois, à nossa disposição genética original que confere ao ser humano a capacidade de reinventar-se a cada passo em desalinho com sua vocação de ser melhor. Porque as coisas somente estarão bem de verdade, quando estiverem bem para todos.

E, com os muitos que, com expectativa, aguardam a primavera, sigamos cantando e dançando a canção de Dalva de Oliveira, a ‘Rainha do Rádio’,  “Vê, estão voltando as flores;  vê, nesta manhã tão linda; vê, como é bonita a vida;  vê, há esperança ainda…”
* “Sol de Primavera” – Música e Letra Beto Guedes

 

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