Editorial

Todos somos Pedestres!

Manhã luminosa e sem chuva de domingo. Como de costume, saímos a caminhar, exercitando músculos e pulmões, saboreando o verde exuberante deste privilegiado bairro paulistano. Mas poderia ser na orla carioca, catarinense, capixaba ou Brasil afora, onde, estabelecidas já por aceitação, as ciclofaixas de lazer dominicais se multiplicam.

A rua, transformada em espaço democrático, caleidoscópio colorido, povoada por crianças, atletas, senhoras e senhores, passeadores domingueiros, vindos de bike, a pé, de patinete ou skate, não importa, porque o que prevalece é o espírito de congraçamento e aceitação.

Na paisagem festiva, de rompante, surge ele – ‘biketeiro fantasma’!-, ele mesmo, parente próximo do fantasma motoqueiro, que de sua bike nos assombra, bradando que nosso espaço não era aquele, que aos pedestres resta somente as calçadas, que portanto para lá, tortas ou quebradas, nos devíamos dirigir.  Do alto de seu veículo, capacete e dedo em riste, proclama a plenos pulmões que a hegemonia do ciclista prevalece no vermelho reluzente do chão. Afinal, se para pedestre fosse, a ciclofaixa ‘pietonfaixa’ seria.

Afora a grosseria do grito e do gesto, a intolerância é o fato mais greve. Mostra curta, equivocada e egoísta concepção do espaço público. Imagina este ciclista que ao compartilhar o ambiente ele sai perdendo. Não sabe, ao contrário, que se enriquece os lugares pela presença do outro diferente e complementar que aporta equipamentos novos aos nossos já existentes.

Talvez, sem consciência, pelos embates travados com motos e automóveis, os bikers reproduzam com os pedestres os mesmos comportamentos inadequados de que foram vítimas por parte dos  parte de condutores.

Desde sempre o cidadão é, antes de tudo, pedestre. Como cidadão, defende o que é público e coletivo, porque antes de tudo é para todos. Não tem a militância do ciclista ou tampouco seu ativismo político, mas cobra dos governantes adoção de políticas públicas efetivas e eficazes para melhoria da mobilidade, com redução de custos, inclusão de tecnologias não poluentes e meios não motorizados.

Assim, não importa de que ponto de vista falamos: se na condição de condutor, ciclista ou pedestre. O que importa de fato é a segurança! Que sempre se deve  e se pode ampliar quando se convive em harmonia e se tem cuidado do outro!

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