Neste mês de março, as águas que fecham o verão, vieram vigorosas e cheias de ventos! Acabaram por castigar inúmeras localidades brasileiras, deixando após sua passagem um rastro triste de cheias e enchentes, pessoas desabrigadas e até mesmo alguns óbitos, casas alagadas, carros inutilizados e árvores destruídas.
No ambiente rural, plantações foram devastadas e terras férteis transformadas em lamaçais, afetando a subsistência de agricultores. Já nas áreas urbanas, a destruição do patrimônio verde foi particularmente dolorosa, com parques e jardins sendo severamente danificados. Perdemos árvores frondosas e históricas. Algumas até que eram usadas como ponto de encontro. Perda que não se limita apenas à vegetação, mas também aos corredores de árvores que contribuíam para a qualidade do ar e o bem-estar da população.
Percebe-se a falta de gestão adequada das áreas verdes das cidades, onde se prioriza a poda e a remoção de árvores, em lugar de catalogar e acompanhar o histórico e cuidar de forma permanente das espécies. A supressão da árvore deveria ser o último recurso frente à total falta de alternativa para manter o exemplar em pé.
Mas não é o que se presencia. A falta de planejamento urbano e o excessivo ambiente construído leva invariavelmente ao corte de árvores ou sua substituição por espécies de pequeno porte pouco recomendadas para as funções urbanas advindas do patrimônio arbóreo e ambiental.
Para conservação dessa herança verde é importante que as cidades possuam um inventário catalogado da arborização para saber quais cuidados são necessários à identificação e conservação das espécies, manutenção adequada e regular, assim como medidas corretivas em caso de adoecimento ou mutilação do espécime. As árvores são plantadas e seguem seu crescimento carecendo de acompanhamento. Se é feito algum monitoramento, ele se dá a distância, por satélite ou por algum dedicado morador que adota a árvores como sua. A maioria das árvores mais velhas muitas vezes são condenadas por seu grande porte porque atrapalham a fiação elétrica e as construções verticalizadas.
Uma das possíveis soluções seria efetuar o plantio de centenas e centenas de árvores buscando dotar as cidades de condições que favoreçam a regulação do clima e ajudem a corrigir os danos trazidos pelas mudanças climáticas e favoreçam o meio ambiente. A mais do que trazer sombra e deleite para a população, o patrimônio verde cumpre papel basilar em todo o ciclo ambiental, notadamente nas regiões urbanas.
A par das ações públicas, espera-se a contribuição da sociedade como um todo auxiliando na reestruturação do patrimônio verde por meio do plantio de árvores nas entradas das casas e edifícios, pequenos canteiros em áreas comuns, possibilitando a criação de corredores verdes e jardins de chuva. Tal como se via nas cidades ao final do século passado e que tanto benefício traziam à comunidade, ao bairro e à convivência.
A reconstrução desses corredores de árvores urbanos não é tarefa simples ou fácil. É essencial um esforço coordenado entre governos locais, instituições, empresas e comunidades para replantar e revitalizar essas áreas verdes. Esses corredores não só embelezam a cidade, mas também servem como barreiras naturais contra futuras enchentes, além de melhorar a saúde ambiental e proporcionar a regeneração da fauna local. Investir na recuperação do patrimônio verde é investir no futuro das cidades e do campo, garantindo um ambiente mais seguro e sustentável para todos.