Tema: Qual a verdade sobre a atual situação econômica brasileira?

Abrindo mais uma edição do Projeto “Seis e Meia em Debate”, a presidente do IDELT, ao cumprimentar a todos, ressaltou a oportunidade do tema “Qual a verdade sobe a atual situação econômica brasileira?”, observando, principalmente, a alta de preços verificada em feiras livres e supermercados, sentida no bolso do consumidor.

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Relembrou temas importantes já discutidos anteriormente, entre eles os relacionados a infraestruturas e mobilidade urbana, que continuam a persistir. Destacou ilustres debatedores de outras edições, entre eles os ex-governadores Almino Afonso e Alberto Goldman, Deputados Zaratini e Edson Aparecido e ex-ministro Almir Pazzianotto que enviou e-mail com subsídios para este debate especificamente. Destacou o mais recente, realizado a partir da palestra do Engenheiro Frederico Bussinger, especialista na área portuária, de transporte e infraestrutura. A seguir agradeceu a presença de todos, passando a compor a mesa. Apresentou a jornalista Célia Franco, que atuou como jornalista e correspondente da Folha de São Paulo na França, depois tendo trabalhado por vinte anos na extinta Gazeta Mercantil e hoje é editora do Jornal Valor Econômico que ajudou a fundar e convidou-a a compor a mesa. A seguir Convidou o Prof. José Francisco Pais, professor de diversas universidades e cursos preparatórios, Economista e Financista de formação, mantendo um blog na área. E, como mediador, chamou o Economista Thomaz de Aquino Nogueira Neto, fundador do IDELT que antes de seu afastamento colaborou em diversos estudos, incluindo o pioneiro realizado para a SABESP que definiu os parâmetros para utilização e comercialização da Água de Reuso, hoje atuando como professor e consultor após ter ocupado diversos cargos públicos, entre eles a presidência da DERSA. “Hoje a água de reuso é bastante utilizada, não só pela SABESP – a USP tem captação e reuso da água da chuva, por exemplo -, mas apesar da abundância de água em nosso país, ainda vamos ouvir falar muito nela, principalmente pela falta de chuvas no Estado. A eles agradeço por virem colaborar e abrilhantar nosso Debate e passo a palavra para a mesa”, concluiu Vera Bussinger. Composta a mesa, o mediador passou a palavra ao Prof. Francisco. Prof. Francisco: “Boa noite a todos, agradeço o convite do IDELT, e primeiro quero apresentar como está se desenvolvendo a nossa economia, como o Brasil vem buscando se desenvolver para, a partir dessas informações, podemos conversar. Todos somos responsáveis pela economia, apesar de haver os órgãos que se incumbem disto, e uso o exemplo do reaproveitamento da água que já é uma realidade no mundo, para atender a necessidade de geração da energia elétrica. Isso só se faz com desenvolvimento econômico e social, que é o nosso assunto. O tema do Debate sugere discutir a situação econômica brasileira, se é verdade ou enganação. Nesse contexto, vamos verificar se existe crise econômica e se está presente em diversos níveis:  Níveis da Inflação; Alta dos Juros; Crédito fácil; COPA do Mundo; o PAC; as nossas Importações & Exportações; Crise de Energia; Pressões Internacionais; o Bolso do Consumidor; e também em relação à Bolha Imobiliária e o nosso PIB, o que há de realidade nisso tudo. E, de maneira bem simples, verificar como se consegue melhorar estas coisas no dia a dia. Como é que isso tudo influencia na vida do brasileiro? Como fazer os investimentos necessários? Porque, pensando na alta dos juros, o meu dinheiro fica cada vez mais caro para que eu possa ter melhor qualidade de vida. Tudo que se busca é qualidade de vida: estudo para os filhos, a casa própria, o carro, viagens… mas há um custo financeiro que atrapalha demais o nosso desenvolvimento, tanto o pessoal como do próprio país, e isso tudo é reflexo do que chamamos de PIB. O PIB brasileiro tem que crescer mais do que esta crescendo, isso é uma previsão do próprio FMI pra os BRICs, África do Sul, México e os países emergentes. E o Brasil tinha uma perspectiva de crescimento para este e os próximos, fixada em 2,5 %. No ano passado crescemos apenas zero virgula nove, nem um por cento. Se somos um pais emergente e queremos nos  desenvolver econômica e sustentavelmente, precisamos aumentar o PIB. Esse é o grande desafio de qualquer economia em qualquer lugar do mundo”.

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E nosso PIB está abaixo dos demais, a Rússia melhorou e melhora também a perspectiva para esse ano, assim como a Índia, China, África do Sul e os países emergentes. Nossa meta é 2,5 %. Mas a realidade do PIB é que ao final de 2013 crescemos 2 ou 3 % mais do que o ano anterior, que foi 0,96, está  arredondado pra 1. Na verdade o crescimento do nosso PIB na faixa dos 3 ou 3,5 ao ano, classifica o país como ‘emergente’, considerando que tem estrutura para se desenvolver economicamente mas que necessita de infraestrutura pra isso. Se verificarmos atentamente, o que ajudou foi agropecuária. O Brasil não tem tecnologia de ponta e isso é um grande problema. Somos um dos principais compradores de produtos básicos de sobrevivência da economia. O PIB já chegou a quase 5 de um total de 4,84 trilhões de reais com uma renda per capta de 24 mil. E nosso crescimento tem mostrado oscilações: perdemos muito em 2009, como  reflexo negativo da crise, depois crescemos muito, depois caímos. Na média fica entre 3 e 3,5.  Então o grande desafio do governo atual é crescer, o que só através de investimentos é possível”.

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Aqui estão os números sobre a renda per capta brasileira, o último índice ainda é de 2012, não fecharam 2013, mas analisando os BRICs – não esta a África do Sul -, temos uma renda per capta de 10 mil dólares entre 2012 e 2014, que não é muita coisa, mesmo a nossa renda crescendo. O problema todo está no desenvolvimento e no PIB que precisa aumentar e é tarefa fundamental do governo. Nossa renda é maior do que a da Índia, da própria China, a Rússia está um pouco acima, na média nós estamos melhores. Não é por estarmos melhor do que média entre os BRICs que vamos relaxar. Mesmo com esse ‘PIBinho’, podemos melhorar um pouco mais. E é  exatamente isso que precisamos identificar. Crescemos e temos o terceiro  maior crescimento no ano passado, só perdemos para China que, afinal das contas tem que produzir  para mais de um bilhão  e trezentos mil habitantes. Somos só duzentos milhões de brasileiros e, se comparados à Coreia do Sul que cresce mais do que o Brasil, mesmo não sendo uma potencia exportadora como é a China, é a terceira economia do mundo hoje, enquanto que estamos na sétima posição. Porque a Correia do Sul tem tecnologia de ponta. A maioria dos produtos que usamos no dia a dia, em termos de tecnologia, é da Correia. Não  temos tecnologia de ponta e isso atrapalha o Brasil. A tecnologia de ponta que temos é o etanol que já está vendido. Nosso maior problema é que nos conformamos esta ideia de que somos a terceira economia, mas sem incentivos decolamos. Crescemos menos que a Bolívia e a Costa Rica. E crescemos menos que a índia segundo o próprio FMI. E se esses países crescem nós podemos crescer também cada vez mais”.

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2) “Nosso slide anterior é do IBGE; e aqui o quero mostrar é que temos potencial para crescer. E como fazer isso? Buscando investimentos! Sem eles, os demais setores não crescem. A agropecuária foi um reflexo do PIB do ano passado, mas observem os investimentos na área… A mesma coisa ocorre com serviços, que cresce demais. Para nossa indústria melhorar, precisamos que o governo disponibilize recursos financeiros para a indústria. Os país só cresce se produz, se exporta. E para isso é necessário subsidiar a economia com financiamentos nas áreas que têm que crescer. A parte de serviços – os setores de educação, tecnologia, transporte, planejamento, correio e comércio -, é a que mais cresce, mas isso só não pode sustentar o país. Crescemos em 2009, conforme vimos; tivemos menos de 1% em 2012 e crescemos o PIB, mas tudo em cima do consumo das famílias. Não pode! A  indústria é fundamental no desenvolvimento de qualquer pais”.

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, “Neste slide, vemos em separado o PIB com suas variações, o consumo das famílias que cresce cada vez mais… Também vemos que o governo diminuiu os seus gastos, porque sem reduzir gastos ele não consegue investir. Os  investimentos cresceram muito pouco, a exportação foi um desastre e a importação cresceu muito e isso é um problema sério, porque desestimula o investimento. Ao desestimular a exportação, desestimula a produção interna. O  grande vilão dessa situação são os derivados de petróleo. E o maior importador no ano passado foi a Petrobrás. Porque não estamos produzindo petróleo suficiente para atender a nossa demanda, principalmente em relação ao etanol, tem que importar. Isso gera problema na balança comercial, que  vamos ver à frente. Esse variação do PIB em 2013, o consumo das famílias vem crescendo e os investimentos crescem pouco, quando deveria ser justamente o inverso:  a curva de importação deveria ser a de exportação para que pudéssemos melhorar cada vez mais. Assim não tem jeito: o nosso crescimento para 2014, que o próprio Banco Central acredita estar abaixo do previsto pelo FMI – o mercado já esta trabalhando com 2 -, está hoje projetado pelo BC para 1,79, o que é muito ruim. Porque essa projeção orienta os investimentos e a produção só aumenta se tiver investimento, e só tem investimento se o governo subsidiar com taxas e juros menores. Mas se isso acontece, gera inflação e a meta de inflação tem que ficar em 6,5, o centro da meta brasileira é de 4,5 e, pela previsão, estamos bem acima do patamar: estamos quase no topo da meta. Isso ocorre porque só se aumenta a taxa de juros e se continuar assim não se desenvolve o consumo, nem a produção, nem a infraestrutura, porque não há investimentos. A gente fala, mas não é fácil; é  igual a administrar a nossa casa: só quando qualquer despesa cresce é que vamos cortar alguma coisa. E o governo também tem que fazer cortes. Se não  cortar, os gargalos crescem junto com a inflação e a taxa de juros”. “A inflação depois do Plano Real, época do Fernando Henrique – o Lula pegou o crescimento do PIB em relação à inflação -, está sempre nessa casa dos 6, isso é ruim. Cresceu, cresceu e depois desceu, nem PIB, nem inflação alta. Em 2009, 2010 melhorou um pouco, mas o governo atual não tem conseguido controlar a inflação, que está alta e o PIB muito baixo. Mas como se faz isso? Os argumentos em aumentar a taxa de juros para conter a inflação, para não consumir em excesso, levam a população a diminuir gastos, mas o governo, embora queira, não consegue diminuir os seus por diversas de complicações. No começo desse ano, o governo fez uma prévia no Rio, fez revisão completa dos seus gastos, reduziu o valor acima de quarenta bilhões. Logo depois teve o problema da energia e, para contê-lo, teve que aumentar o subsídio, teve que dividir a conta, para segurar o dragão devorador que é a inflação.  Neste slide 4 

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de 2013 vemos o impacto da inflação no bolso do consumidor: aqui o aluguel, estacionamento, o famoso cafezinho… cujo aumento foi gerado por dificuldades na produção brasileira que é a maior do mundo, por conta da safra, da  desvalorização do Real frente ao Dólar e, quanto maior a desvalorização, maior é a inflação e a  taxa de juros. Resultado: sobra menos dinheiro no nosso bolso. Essa situação bem reflete o que acontece dentro da economia, assim como o salário mínimo que vamos ver a seguir, pode influenciar no crescimento da renda per capta brasileira. Os principais produtos da nossa balança comercial as ‘commodities agrícolas’ que são transformadas em ativos financeiros. Há grande variação no próprio açúcar, no nosso etanol que praticamente a Shell já comprou junto com parte do ‘Pré sal’, o próprio café, suco de laranja, a nossa soja… Juntos,  Brasil e Estados Unidos, correspondem à maior produção de soja mundial, mas o maior comprador é o Estados Unidos. Sabem por quê? Porque não temos infraestrutura para isso. Já o leite, frango se exporta grande quantidade…, a carne agora com diversos  programas, consegue manter os preços. Mas precisamos equilibrar a balança comercial e aí se acaba exportando tudo que sobra dentro do país. Esta não é uma questão simples. A taxa de juros está alta, inflação em alta, ai você fica nessa gangorra… o governo não tem mais condições de aumentar a taxa. Deve ficar entre 11 e 11,5 já estourando muito. É necessário, então, que o governo reduza os seus gastos para poder equilibrar. Fala-se que a taxa de juros sobe e assenta uma taxa de juros real, que é a taxa de juros nominal descontando a taxa de inflação. E vemos a taxa Selic descontando-se da taxa de inflação, o que provocará uma taxa de juros real na casa de 5 %, que é a maior taxa real do mundo”.Não adianta manter alta a taxa de juros para ter uma taxa real maior se o meu problema todo é a inflação. Então todo mundo tem de parar de consumir? Não, tem que se aumentar renda! Ou seja, diminuir o desemprego, porque trabalhando, as famílias começam a ter uma renda maior. A taxa de desemprego esta caindo, há mais emprego no Brasil. Em 2010 tivemos maior criação de vagas, mas não com carteiras assinadas. A relação entre emprego formal e informal vem caindo. O que se precisa, então, é estimular a produção industrial, aumentar investimentos ainda que essa situação reflita na inflação. Também o aumento do salário mínimo gera inflação porque gera consumo. Aumenta o poder aquisitivo das famílias. Saímos em 2003, há onze anos, aumentando o salário mínimo o que resultou no crescimento do poder aquisitivo das classes D e E em 2006 que, em 2011 já foi maior do que a classe C. Porque a renda familiar inclui a renda de todos que trabalham naquela residência gerando um aumento natural, mesmo com trabalho informal, possibilitando maior volume de renda. E, com o crédito mais fácil, a dívida das pessoas  aumenta. O brasileiro está começando a entender isso. Mas como não teve e não tem educação financeira, vê o crédito fácil e, tendo ficado muitos anos sem crescimento econômico, sem a possibilidade de consumir alguma coisa – principalmente no que diz respeito à tecnologia -, começa a consumir mais estimulado pelo crédito rápido, fácil e barato, mesmo que esteja negativado. Daí o brasileiro vai lá e explode o ‘consignado’; tanto que o governo criou uma regra limitando a taxa de juros dele. Até aposentados e pensionistas tiveram bastante problemas comprometendo mais da  metade do seu vencimento. E a inflação acaba fazendo com que o endividamento seja maior. O endividamento medido em 2013 aponta que a dívida sobre o mercado de crédito cresceu mais de 380 % desde 1920. A nossa divida, o crédito no Brasil, está em torno de 55 % do PIB brasileiro, o que não é ruim, há espaço pra crescer. O problema é a inflação alta que impede o crescimento pelas altas taxas de juros”. “Em relação à bolha imobiliária que alguns se referem, o Banco Central do Brasil garante que não há bolha, eu também penso que não porque não tem nem 10% do PIB destinado a crédito imobiliário, contra o Reino Unido que tem 84 % do PIB e os estados Unidos 76 %. O que está acontecendo agora é alto preço do valor do metro quadrado em São Paulo, motivado pela procura pela casa própria que, consequentemente, aumenta o preço do metro quadrado. Mas, o Brasil não pode prescindir do mercado da construção civil que gira a economia, gera mão de obra. Precisa mantê-lo aquecido e é natural que o preço suba, porque se há procura maior e não existe demanda suficiente para atender a todos, vai subir. Mas mesmo que os preços caiam, há uma compensação em relação ao que está sendo emprestado, não existindo a bolha. Claro que o imóvel está um absurdo de valorizado! Este processo todo também é alimentado pelo governo que disponibiliza os recursos do Fundo de Garantia e pela poupança que chega próximo de 98 bilhões de reais. Há, hoje um crédito de 35 bilhões destinados ao crédito imobiliário.  E, diferente dos Estados Unidos, não há aqui a sublocação da hipoteca, o famoso ‘prainne’: pegava-se a hipoteca da moradia, comprava uma outra e alugava aquela, o locador pagava por aquilo, subloca aquela e tem o rendimento do aluguel para pagar o crédito imobiliário feito. Veio a crise americana e com ela o desemprego, não foi possível pagar contas nem a hipoteca que foi direcionada para fundos de investimentos. Se não se paga a hipoteca o fundo de investimento não tem rentabilidade, foi isso o que aconteceu lá. Aqui não tem isso”.“Já falamos em dados passados, agora vamos para os dados futuros. Nossos próximos eventos são Copa do Mundo e eleições. Nosso calendário é interessante: férias em janeiro, carnaval no final de Fevereiro / Março, feriados em abril, semana Santa, Copa do Mundo, você tem um mês útil, depois o período preparatório e as eleições, preparação para o novo governo e depois férias novamente. Para a Copa do Mundo foram gastos 10 bilhões de reais, dinheiro que veio do BNDES só para os estádios. O governo disse que não ia financiar, mas financiou 100%. Se a Copa for um sucesso, a perspectiva é que até 2019 tenha em reflexo de 180 bilhões de reais entrando na economia. Se acontecer há perspectivas de bom crescimento em matéria de investimento, infraestrutura, de gastos fundamentais e do próprio gasto em consumo das famílias. A pergunta é: se virar realidade, esse crescimento será dividido entre as cidades e quem distribuirá esse dinheiro? O governo atual deverá administrar esse dinheiro e, aposta, se a Copa for um sucesso, as eleições também serão sucesso para ele. Esses recursos serão investidos em ferrovias, no desenvolvimento portuário e fluvial que está uma vergonha? O Brasil esta patinando no desenvolvimento, mas se todo este recurso for direcionado pra isso pode reduzir perdas até 2019. Mas isso são projeções, vamos ver se realmente acontece, como nos EUA, por exemplo. Lá quando se produz soja,  sai da ferrovia, cai direto no transporte fluvial e segue diretamente para porto para exportação. O Brasil que é o maior produtor de soja não tem isso. Poderia ser também o maior exportador, se fizer investimentos da ordem de 2 trilhões de reais. Em rodovias, até 2022,  200  milhões; ferrovia 130 milhões; aquaviário 160 bilhões; petróleo e gás quase 1 trilhão; e energia, de uma forma geral quase 400 milhões. Ainda tem saneamento, reaproveitamento da água e as telecomunicações. Isso é básico para qualquer pais se desenvolver. E de onde vem esse dinheiro? O governo precisa reduzir custos, ao invés de emitir títulos dele mesmo para cobrir seu próprio déficit. Precisa investir e dar perspectiva ao empresariado para elevar o índice de confiança porque como está não vê perspectiva de crescimento. E precisa começar agora em 2014 porque até 2022, são 8 anos. O PAC contabilizou até 31 de Dezembro de 2012, 764 bilhões de reais em obras realizadas, e mais 76 %, previsto até o final de 2014. Nesse volume de recursos está Minha Casa Minha Vida, financiamento da habitação, financiamento do setor público, setor privado e tem que trabalhar muito nisso.  As estatais são o grande desafio do governo. A Petrobrás não está em má situação, o valor da Petrobrás até 2010 era superior a 580 bilhões, hoje está valendo 180. Caiu de 12ª maior empresa do mundo para a 120ª posição e estes escândalos pegam muito mal. O Programa Minha Casa Minha Vida no qual se aposta, cresce o investimento e gera emprego na construção civil, mas fica nas mãos de poucos. Há riscos de ‘apagão’ mas é culpa é de São Pedro e não da falta de investimentos. Tem problemas com as hidroelétricas por falta d´água, as termoelétricas são movidas a diesel, sem capacidade suficiente para produção, então tem que importar. A importação brasileira está sendo penalizada pela administração da Petrobrás, o governo faz ingerências, prejudicando o planejamento”. “Então, como melhorar isso? Com infraestrutura para exportar e aumentar o PIB. A desvalorização do real encolhe o PIB nominal em relação ao dólar, por isso tem que rebaixar sua classificação. No ano passado exportamos 244 bilhões de dólares e importamos 237 bilhões, com saldo positivo de 2,5 bilhões. Exportamos para os EUA, China, Argentina e Alemanha e os países de quem mais importamos foram China, Estados Unidos, Argentina, Alemanha e Japão. Exportamos minério de ferro, aço, óleo, petróleo, soja e derivados, automóveis, açúcar, aviões. A EMBRAER hoje é altamente competitiva. A carne brasileira está em alta com a empresa Friboi que se tornou o maior frigorífico do país, a carne de frango com a empresa JVS que passou a própria SADIA em grandeza. Isso mostra que temos potencial para crescer. Mas há equívocos na forma de administração. E isso reflete na dívida pública, as exportações são menores, refletindo na nossa reserva internacional que é de U$ 377 bi enquanto a da China é de U$ 3.546 bi. Para um país equilibrar sua divida publica tem que aumentar a exportação, a entrada de divisas internacionais de dólares. Com o dólar caro, consequentemente a nossa divida pública fica cara. Hoje, não é tão grave, está em quase 60% do PIB brasileiro. A dívida líquida tirando os juros, atingiu 2 trilhões de dólares, está dentro do que o governo previa. Mas não é revertida para investimentos indo para cobrir o déficit do governo que é muito grande. Por isso que para melhorar  é necessário  crescimento e desenvolvimento. Tem que melhorar importações e exportações. Com a incorporação de novos trabalhadores no mercado de trabalho e menor desemprego, para sustentar este crescimento só investindo em qualificação e capacitação de mão de obra. Com investimento em máquinas, equipamentos e infraestrutura através do BNDES, com dinheiro do governo. Basta cumprir o orçamento, hoje na casa de mais de 2 trilhões de reais, dos quais próximo de 43% só para abater juros da divida e da previdência social, representando  70% do orçamento da União. Percentualmente ela vem caindo em relação a anos anteriores porque o país está ficando mais rico”. “E se estamos mais ricos, por que não estamos aumento o PIB? O grande problema é a inflação prevista pela Selic de 6%, que deve passar dessa casa prejudicando todo planejamento de 2014. E aí ficamos na mão do governo que nem tudo que arrecada consegue levar pra lá, porque há desvios, não cumpre o orçamento, tendo toda hora que apagar um incêndio, prejudicando o planejado e o desenvolvimento do país. Mas, afinal de contas, o que se busca é melhor qualidade de vida para todos porque acredito que o governo não existe só para construir estradas, mas para desenvolver cultura, educação e bem estar social e isso reflete no crescimento e desenvolvimento econômico. É isso que havia preparado para este debate, agradeço o convite, e fico à disposição de vocês. Muito obrigado”. Terminada a apresentação do Prof. Francisco, o coordenador da mesa passou a palavra à jornalista Célia de Gouveia Franco.

Celia Franco: “Vou propor que a gente volte um pouco no passado, para contextualização nossa discussão. Acho interessante voltar e olhar como é que a economia brasileira estava há quinze, vinte, vinte e cinco anos atrás. Este ano estamos completando 20 anos do Plano Real que acabou com o problema da hiperinflação no Brasil. Em 1993, alguns dos ‘jovens’ aqui presentes se recordem, a inflação anual foi de 2.808%. Hoje quando ficamos preocupados com a inflação chegando a 6% ao ano, temos toda razão em ficarmos preocupados, mas é bom lembrar que há 20 anos nossa inflação era de 2800%. Só este dado mostra que hoje o Brasil esta numa situação econômica muito melhor do que esteve no passado; não tem nem comparação, se olharmos outros indicadores sociais. O Brasil é um país  injusto, terrivelmente injusto, ainda, com má distribuição de renda sem duvida, porém melhorou muito.

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O  Prof. José Francisco citou ai os dados do índice ‘Gini’  que mede exatamente a desigualdade que também melhorou muito em relação ao que era. Tem muito a fazer, mas estamos melhores do que estávamos há 20 anos ou a 25 anos. Sou jornalista e, fazendo uma observação que não é de economia, mas do ponto de vista politico, estamos muito melhor do que estávamos a 40 ou 50 anos atrás, quando vivíamos sob uma ditadura militar e hoje temos uma democracia consolidada. Em Outubro vamos votar pela sexta vez seguida desde a redemocratização e vamos ter um presidente eleito democraticamente que vai assumir o seu posto. Isso é um feito na história do Brasil e, considerando esses dois contexto, pra mim fica mais fácil avaliar o que esta acontecendo no momento na economia brasileira. Este está sendo um ano com uma concentração excepcional de fatos que não estavam previstos, que tornam difícil o momento econômico e torna mais difícil ainda a previsão  do que vai acontecer nos próximos meses até o final do ano”. “Além do que o Prof. José Francisco bem lembrou, há esses dois fatores que mexem com a economia, que são as eleições e a Copa do Mundo. As eleições mexem na economia além dos investimentos que foram feitos, além da atração de dinheiro que vai haver com a chegada de turistas. Mexe também no mercado financeiro que é extremamente ligado nessas questões tanto das eleições quanto na Copa do Mundo. E as oscilações do mercado financeiro acabam afetando também a nós que estamos fora, que não somos grandes investidores, mas sofremos as consequências do que ali acontece. Além desses dois eventos que já estavam previstos, houve essa seca no começo do ano, que não estava prevista. Os meteorologistas não previram e os reflexos sobre a economia brasileira são muito sérios, com risco grave de haver racionamento de energia e de água, que já vem acontecendo em várias cidades. Em Minas Gerais e no nordeste, por exemplo, há várias cidades com racionamento de água desde o ano passado e a Cidade São Paulo corre grave risco de racionamento. Essa circunstância, além de afetar a cada um de nós como habitantes, como moradores, também provoca impacto na economia na medida em que muitas empresas precisam de água para a sua produção. O setor siderúrgico usa muita água, o de papel e celulose idem, obviamente o setor de bebidas usa muita água, sem falar na agricultura. Quem acompanha os mercados agrícolas pode verificar que no começo do ano o preço do café teve um grande aumento. Está ocorrendo seca nas principais regiões produtoras de café no Brasil – Minas e São Paulo -, o que já está impactando no nosso bolso de consumidor, além dos preços do café terem subido internacionalmente. E, além do impacto de na produção, há impacto também sobre a inflação. Se for necessário um racionamento de água pesado aqui em São Paulo, algumas empresas vão ter que cortar a produção. Então a previsão do PIB, como já foi bem explanado, para este ano não terá um crescimento brilhante, mas um crescimento modesto, se fala em torno de 2%. E se houver racionamento de água, esse crescimento vai ser menor; se tivermos racionamento de energia vai ser menor ainda. Como não tem chovido suficiente e esse fato impacta a produção, poderemos ter um PIB ainda menor este ano. Além do impacto sobre o crescimento da economia e sobre a inflação, há outro que já está ocorrendo, mencionado rapidamente pelo Prof. José Francisco, que é o impacto da energia nas contas fiscais. Porque não havendo energia suficiente gerada pelas hidroelétricas, o governo solicitou que se ligassem as usinas térmicas que são movidas a diesel ou outros combustíveis que não os habituais. E quem vai pagar esta conta? Há estimativas de que esta conta chegará este ano em 14 bilhões, 15 ou 20 bilhões se a situação de seca persistir. E o governo vai ter que pagar esta conta que significa mais pressão sobre as contas governamentais. A seca é um complicador adicional esse ano”. “Além disso, há quatro fatores, quatro questões internacionais, que também podem atrapalhar o rumo da economia brasileira em 2014 e que vão  atrapalhar as previsões do que pode acontecer no Brasil. A primeira delas é o que esta acontecendo na Argentina – nossos vizinhos favoritos! -, que estão em crise há anos. Em janeiro colocaram barreiras para exportação de produtos brasileiros pra lá, afetando principalmente a exportação de automóveis. A Argentina é o principal comprador de veículos e autopeças brasileiros. Se não vamos poder exportar carros para a Argentina como se exportou no ano passado, significa que as montadoras brasileiras vão ter que produzir menos. A não ser que encontrem outros países que comprem carro brasileiro, mas isso é uma  incógnita. Normalmente as decisões das montadoras nem sempre são tomadas no pais onde está a fábrica, são tomadas pelas matrizes nos Estados Unidos, na Europa, etc., mas é bastante provável que não consigam exportar este ano tanto quanto se exportou para a Argentina de veículos e auto peças. Isso vai afetar um importante setor, que é automotivo, aqui no Brasil. Outra questão se refere à Venezuela para quem também exportamos bastante. O fato daquele país estar numa crise política e econômica grave, significa que haverá também um mercado  a menos para explorar. Será outro dos mercados para os quais exportamos que vai parar ou a não vai pagar as compras que faz, como que já vem acontecendo. Além dos produtos que compra, a Venezuela é um grande tomador dos nossos serviços. Diversas grandes empreiteiras brasileiras estão fazendo obras na Venezuela, e o governo venezuelano está sem dinheiro para pagar essas obras. Como consequência, vai afetar as empresas brasileiras que têm grande impacto sobre o desempenho da balança comercial brasileira”. “Outro agravante é que o mercado financeiro muitas vezes olha para os países da América Latina como se fossem todos parecidos. Então, tem problema na Argentina? Tem problema na Venezuela? Ah!, então o Brasil também está com problema! Vamos jogar os três na mesma cesta, Brasil, Venezuela e Argentina. Quando estouraram problemas cambiais na Argentina e na Venezuela, no começo do ano, imediatamente o Brasil foi classificado e considerado como um país ruim pra investimento externo. E o impacto disso é que as empresas brasileiras e o governo estão com mais dificuldades pra captar empréstimos internacionais. Durante dois meses o Brasil ficou tentando captar empréstimos. Porque precisamos captar empréstimos internacionais para financiar todas essas obras que foram bem descritas pelo Prof. José Francisco. E o Brasil correu novo risco em ter que pagar um custo elevado por problemas na Argentina ou na Venezuela e isso está afetando a economia brasileira. Por último, o quarto fator – o fator internacional -, se refere à recuperação da economia americana. Como bem sabemos, a economia americana e a economia Chinesa são os dois principais motores do crescimento do mundo. Todos estavam muito animado no ano passado porque a economia americana estava se recuperando da crise de 2008 e a expectativa era que tivesse um crescimento maior, mais firme neste ano. Os primeiros meses não foram tão bons e isso pode afetar a economia brasileira. O Prof. José Francisco também mostrou uma tabela com os maiores compradores de produtos brasileiros. Em primeiro lugar é a China; segundo os Estados Unidos; terceiro lugar a Argentina, então se a economia americana não cresce tanto quanto se estava esperando, isso vai afetar as exportações brasileiras também. E, ainda, destro deste quarto fator internacional, há a China que estava crescendo 11%, 10% e tal; no ano passado já cresceu menos: 7,5%. Para  esse ano, de novo a expectativa – tem saído notícias – é que fique nesta faixa de crescimento, ou abaixo. Sendo a China o maior comprador de produtos brasileiros, impacta-nos diretamente já que é também a maior compradora de minério de ferro e de soja brasileira. E se a China não está crescendo tanto quando já cresceu, afeta de novo as exportações brasileiras”. “O Prof. José Francisco não mencionou, mas em Janeiro e Fevereiro, houve um déficit na balança comercial. No ano passado tivemos um déficit. Modesto, um superávit modesto de 2,5 bilhões e este ano nem se está conseguindo isso. Em parte porque as importações para a Argentina já caíram e em parte porque não estamos exportando para a China tanto quando se estava no ano passado. Todos esses fatores internacionais, que às vezes parecem tão distante de nós, podem significar um entrave para o crescimento brasileiro neste ano. Voltando a falar um pouquinho mais do Brasil, mais concretamente, muitos economistas estão prevendo para esse ano um cenário muito parecido com o ano passado. Um crescimento modesto, um crescimento abaixo do potencial brasileiro e de novo uma inflação acima do centro da meta que foi fixado pelo governo: uma inflação – de novo -, na casa dos 6%. Penso que a grande ameaça desse cenário é começar a ter desemprego, que é um fator que não ocorreu nos últimos anos, mas se ocorrer, pode agravar esse cenário que não é brilhante, é um cenário mais ou menos. E, para ficar no exemplo que dei, como reagirão as montadoras brasileiras? Se não conseguirem exportar tanto para a Argentina e se o mercado interno brasileiro também tiver crescimento  semelhante ao do ano passado, será que vão começar a demitir? Em Janeiro a fabrica da Citroen no Rio, anunciou que estava cortando um turno, 650 funcionários iam parar de trabalhar num turno e foram mandados pra casa. Esse é um dado preocupante, assustador, porque se outras empresas que estiverem com dificuldade de exportar começarem a fazer isso,  muda o cenário de emprego no Brasil que até agora está brilhante, uma área onde o Brasil vem se dando muito bem. Era isso que eu tinha a dizer”. Na sequência, Thomaz de Aquino, coordenador do Debate, acrescentou: “Em primeiro lugar, agradeço a Célia, que colocou o horário da nossa programação em dia. As apresentações foram muito boas e quero apenas fazer um comentário e trazer uma proposta”. “Nós, ao pensarmos nos problemas, imediatamente pensamos no que se pode fazer pela frente. Eu penso muito na educação como sentido formal de aprender coisas, porque se fizermos a leitura desses casos e fizermos uma análise estratégica, podemos pensar em várias metodologias e ver quais são as mais comuns e as quais são oportunidades; verificar as ameaças, nossos pontos fortes e nossos pontos fracos. Sobretudo a apresentação do Prof. José Francisco, que se pode resumir assim

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‘Não se avexe não que as coisas não são para já, o mundo não vai acabar, está piorando, mas devagarinho’, como analisar em termos estratégicos, por que piora devagar? Piora porque as ameaças às oportunidade, são fatores que estão fora do contexto, são fatores do ambiente. Temos muitas oportunidades com tudo que está acontecendo e a maior oportunidade que o Brasil tem sol e água! E isso é muito bom! As ameaças são dos sistemas globais que urgem e de desajustes grandes na economia que se  refletem em tudo. É um sistema de equilíbrio geral que quando se balança um galho todos balançam. Aqui podemos até balançar menos, com um respaldo  que o governo capitalizou publicitariamente muito bem. O governo Lula deu uma inflada que até a maré subiu. E ele diz que foi ele quem fez o barco subir, mas não foi ele. Foi a maré! No entanto, já se via a gênese das nossas fraquezas. E quais são elas? Temos um sistema de  gestão muito ruim! Temos um Código Penal rigorosíssimo, mas temos um Código de Processo Penal que não permite aplicar nenhuma pena e não pode nada. A pessoa não sofre nada se fizer um  monte de besteira e por ai vai. A capacidade da administração de não executar um orçamento, por exemplo. Teve essa fase do governo do PT, que claramente tomou um partido, uma direção: vamos distribuir renda, vamos promover o consumo, vamos alavancar. Vamos tirar o multiplicador e vamos passar para o acelerador. Foi isso que fizeram, ao invés de promover  investimento ou o crescimento na base do investimento. Fazendo a renda crescer o PIB. Vamos promover um consumo que vai agitar a economia. Pergunto: melhorou a distribuição? Melhorou, afora o grande problema de ter sido feito de uma maneira incompetente, mas mesmo se fosse bem feito – e eu não posso gostar disso -, vai ter consequências. Politicamente, vai chegar uma hora que o país vai ficar cheio dessa política e vai votar em outra facção que vai fazer outro tipo de coisa. Em nenhum outro lugar do mundo acontece de quando o país precisa mudar de política econômica, o Ministro da Fazenda vai lá e muda a política econômica. Não, o que muda é o Ministro da Fazenda. Então está piorando devagarinho porque não se aproveita as oportunidades, apenas se dá sumiço nas ameaças e pronto! Mas, vamos explorar os nossos apresentadores e trazer ao Debate os assuntos que preocupam vocês, abrindo a oportunidade para se pronunciarem ou trazer perguntas aos nossos debatedores”.   Presentes ao Debate havia diversos técnicos, empresários, consultores e estudantes. Abertas as inscrições, imediatamente muitos se inscreveram. Antonio Carlos, ao iniciar a sessão de perguntas, falou sobre o endividamento das famílias, dizendo: “Eu sou um cidadão comum e moro na periferia. Meus vizinhos estão com muita dificuldade de ‘por em dia’ o cartão de crédito… Ninguém mais verifica se o cidadão tem crédito, se está endividado, se consegue pagar. Porque o crédito rola solto. E os bancos e as empresas de cartão de crédito ganham muito; acabam se beneficiando com isso”. Janos, empresário e economista, abordou o tema da dívida pública dizendo que “os dados divulgados agora, em janeiro, sobre as despesas federais com programas sociais, pessoal, custeio administrativo e investimentos, impulsionadas por pagamentos atrasados de 2013 – dizem que muitos atrasados foram propositais, ‘turbinando’ 2013 -, tiveram alta de 19,5% e chegaram a R$ 90,1 bilhões. Isto mostra que as despesas subiram 19,5% e as receitas 6,6%. E aumentou 1,2% – perto de R$ 22 bilhões -, o repasse para Estados e Municípios também remanescentes de 2013. Com isso, o superávit federal foi o menor desde 2011, com redução de 50,7% em relação a 2013. Esses números são ruins. E confirmam que as projeções de que a meta de superávit de 1,9% do PIB não será alcançada, podendo ficar entre 1,3 e 1,5%, abaixo até do que disse o prof. José Francisco e a Célia. Pergunto: já podemos configurar uma crise no país?” Após esta pergunta, seguiu-se animado debate na plateia entre si e com os debatedores. Diversas pessoas disseram que ainda é cedo para configurar cenário de crise mesmo com ‘apagão’, falta d´água e outras mazelas. E que, como este é um ano eleitoral, o governo é capaz de sair com alguma novidade para assegurar para si o resultado eleitoral, evitando a crise. O Prof. José Francisco considerou: “Se nos próximos meses os maus resultados se repetirem pode aprofundar o risco de rebaixamento da nota de classificação do Brasil pelas agências internacionais e, como falei, volto a bater na mesma tecla: o Brasil precisa retomar os investimentos porque se consome mais do que a economia consegue abastecer. E nossas empresas – as indústrias nem se fala porque não têm estímulos -, estão perdendo mercado para concorrentes do exterior, a China principalmente, como a Célia já citou. O PIB chinês está desacelerando, retrocedendo quase à metade a taxa de expansão e vai recuar mais. Mas nosso maior problema não vem da China, vem da falta de investimento”. Sobre a Copa, uma das estudantes presentes perguntou: “Vai faltar infraestrutura para o mundial porque não há tempo para aprontar as obras. Vamos ter problemas de mobilidade?” Frederico Bussinger pediu licença à mesa para responder a ela: Se há um aspecto a respeito do qual não devemos nos preocupar em São Paulo é justamente a mobilidade. Isso porque a capacidade do Itaquerão (60, 70 mil pessoas) equivale a aproximadamente uma hora de Metrô, ou 1 1/2 hora de trem (CPTM). E, além dos dois há, ainda, os corredores de ônibus. Finalmente, não deve ser esquecido que no dia da abertura será feriado e, quando houver jogos lá será meio feriado. Enfim, somando-se tudo, a Copa não vai fazer nem cosquinha! Hotel é a mesma coisa: Boa parte do público será de paulistanos. Mas, mesmo que todos os torcedores fossem de fora, e tivessem que se hospedar em hotéis, a paridade hoteleira na Região Metropolitana de SP e arredores é superior: Mais de 100 mil leitos”. Eliana Moreira, administradora de formação, perguntou ao Prof. José Francisco: “Neste ano de 2014, qual será o desempenho da economia brasileira?” que lhe respondeu “a economia brasileira vem se deteriorando e, a continuar assim, as expectativas para 2014 e 2015 são ruins. Porque as más políticas adotadas nos últimos anos nos deixam numa posição ruim frente à política monetária norte-americana. O Brasil precisa de reformas para melhorar seu desempenho, mesmo porque com Copa do Mundo e eleições, não acredito venham ainda este ano”. Outras pessoas também deram ‘pitacos’ no assunto. A maioria se mostrou preocupada com o baixo desempenho, possível cenário de desemprego, alta da inflação que pode levar o PIB para baixo, etc. E a conversa prosseguiu animada e esclarecedora, até que Tomaz de Aquino, pelo adiantado da hora, propôs o encerramento do Debate, antes passando aos expositores para suas considerações finais. Prof. José Francisco:

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Procurei trazer a vocês dados e estatísticas. Falando de forma mais abrangente, concordo com a Célia que avançamos nas conquistas democráticas, o que mais do que do governo, é mérito da sociedade. E como vamos sustentar isso? Se não houver perspectivas de mudanças na economia – talvez tenha mesmo que trocar o Ministro -, os investimentos necessários para sair de uma possível crise são fundamentais. Eu não torço para que as coisas saiam errado porque se isso acontecer quem vai sair perdendo é o brasileiro. Mais uma vez, agradeço. Foi uma noite muito proveitosa”. Célia Franco, em suas considerações finais, agradeceu a pergunta feita pelo Antonio Carlos que lhe deu a oportunidade para fazer uma complementação à sua fala inicial. “No final de 2011, o governo colocou em funcionamento uma nova matriz econômica ‘afrouxando’ a política mo­netária que desvalorizou o câmbio e passou a oferecer crédito barato através dos bancos públicos. E no início do ano seguinte, fez o mesmo com a política fiscal. Isso tudo não funcionou muito bem, resultando na elevação da inflação e em ligerira redução dos salários. A reação do governo foi interferir em al­guns preços básicos, como por exemplo: gasolina, die­sel, tarifas elétricas e de ônibus e, também concedendo isenções tributárias a diversos bens de consumo. Isso camuflou a inflação reprimida que já estava alta. Resultado: comprometeu as finanças de setores produtores como os de gás, álcool e energia elétrica. E reformas necessárias não foram feitas já que o governo quer passar a impressão de que tudo está bem, vai às mil maravilhas, pelo menos até as eleições. Aumentou a inflação, aumentou a taxa de juros o que influenciou no consumo porque com a redução dos valores salariais, há menos dinheiro circulando. No ano passado já se percebia desa­celeração no consumo das famílias. Como consequência, a taxa de emprego foi menor se comparada com 2012, o que deve se repetir na relação entre 2013 e 2014. E, como o crédito ficou mais caro, aumentou o volume de endividamento das famílias. E na medida em a taxa de emprego cai, a taxa de inadimplência sobe. Então, o que se precisa é mesmo, como o Thomaz quer, uma mudança nos rumos da política econômica”. Thomaz de Aquino agradeceu a presença de todos encerrando o Debate e anunciou que o próximo está programado para Julho, com Copa do Mundo e tudo mais. Esperamos vocês!

 
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