O dia 8 de março pode ser entendido como um momento de reflexão sobre os desafios que as mulheres ainda enfrentam na sociedade contemporânea. Hoje, a situação das mulheres ao redor do mundo é marcada por um paradoxo: nunca estiveram tão próximas da igualdade, ao mesmo tempo que enfrentam riscos reais de retrocessos.
Relatórios da ONU Mulheres e dados de março de 2026 informam que, nos cinco continentes, os avanços são marcados por progressos lentos, desafios estruturais e um cenário no qual país algum alcançou plena igualdade de gênero.
A Europa possui os índices mais altos de igualdade de gênero, com maior destaque para os países nórdicos. Também, países como Espanha e França se destacam por leis de proteção abrangentes e tribunais especializados. O Continente vem implantando estratégias focadas em igualdade de gênero, voltadas para situações particulares, para os próximos cinco anos (2026-2030), abordando violência cibernética e participação pública. Enfrenta o ressurgimento de discursos conservadores (“masculinismo online”) e a necessidade de regular espaços digitais para evitar retrocessos. No entanto, a situação das mulheres em outros continentes ainda se encontra longe da realidade europeia.
Em muitos países asiáticos, a desigualdade legal é gritante, com grande discrepância, com alto índice de casamentos forçados e barreiras culturais, variando de economias desenvolvidas a nações com restrições severas, com baixa participação no mercado de trabalho formal em certas regiões, nos quais muitas mulheres dependem da economia informal para sobreviver. Em alguns países observa-se retrocessos nas conquistas de direitos, como recentemente no Afeganistão, com restrições à educação e ao trabalho. Ainda, em muitas áreas, a violência de gênero é agravada por tradições patriarcais. Em contraposição, movimentos de mulheres, como na Índia, se mobilizam contra as estruturas de classe e exploração, com mulheres ocupam posições de destaque na tecnologia e ciência, desafiando as normas vigentes.
Da mesma forma, nas Américas, o cenário é bastante heterogêneo. Enquanto na América do Norte são notados os maiores avanços, na América Latina apesar de melhorias na legislação de proteção, enfrenta-se altos índices de violência. A instabilidade econômica tem ampliado a vulnerabilidade das mulheres no Sul, agravando as disparidades salariais, desigualdade racial e social interseccional e o acesso à justiça. O foco dos movimentos populares e ativismo, neste cenário, está centrado na autonomia econômica e no combate ao feminicídio.
Países como Nova Zelândia e Austrália (Oceania) possuem políticas progressistas, mas com desafios para as populações nativas. Necessitam maior inclusão de mulheres indígenas e combate à violência doméstica mais efetivo. Atualmente as mulheres estão focadas em ampliar as condições de segurança física. Lutam, igualmente para que suas opiniões sejam mais consideradas, principalmente na paridade na tomada de decisões. Em fazer valer sua voz.
No Continente Africano a maior dificuldade são as enormes disparidades entre regiões rurais e urbanas. A vulnerabilidade econômica elevada é o grande entrave a quaisquer medidas que possam ser tomadas como bandeiras do movimento feminino e feminista. As atávicas desigualdades de gênero são aprofundadas pelo limitado acesso à educação e saúde de qualidade para meninas e mulheres, pelo impacto direto de crises climáticas e pelos crescentes e constantes conflitos armados. Embora se possa assinalar maior representação feminina em alguns governos, persistem barreiras tradicionais, sociais e culturais.
Divulgado pela ONU, o Panorama Global 2026 aponta que a violência baseada em gênero continua devastadoramente alta: 1 em cada 3 mulheres no mundo sofre violência; mais da metade dos países (54%) ainda não define estupro com base no consentimento; mulheres possuem apenas dois terços dos direitos legais dos homens; e, lamentavelmente, os sistemas judiciais estão falhando em proteger mulheres, com limitado acesso à justiça. Trágica em si mesma, essa situação ainda é agravada por conflitos e crises econômicas.
Igualmente, no Brasil a situação é de completa contradição. O Movimento de Mulheres alcança conquistas quanto à direitos e práticas sociais. Mas registra índices de violência alarmantes. Com base em dados recentes, o Brasil vive um cenário de alerta, com recordes de feminicídios em 2025. Foram 1.568 mulheres mortas por questões de gênero, evidenciando uma escalada na violência. Portanto, importantíssimo o alerta de mobilização para a sociedade – não somente às mulheres! -, pela necessidade de ação rápida, com foco no combate à impunidade e no suporte às vítimas.
Esse é um chamado de emergência para o fim da violência doméstica e sexual! Contra as mulheres. Contra meninas e meninos. Praticado contra as famílias, seja pelas agressões verbais e físicas, seja pelas práticas sexuais abjetas. Quando uma mulher é espancada ou morta, a lacuna para os filhos é irreparável. Física, psicológica, social, de ausência e de abandono.
Fundamental ajudar a reduzir a violência com ações práticas e preventivas:
- Denuncie! Em briga de marido e mulher se mete sim a colher!
O Disque 180 é um serviço gratuito e confidencial que recebe denúncias de violência doméstica e contra a mulher, funcionando 24 horas.
- Apoio e Acolhimento!
Se escutar ou presenciar uma briga, aja rápido! Veja se é possível apartar. Ou chame uma autoridade. Apoie e escute mulheres, meninas e meninos que sofrem violência, mostrando solidariedade e ajudando na busca por ajuda.
- Conscientização dos Homens!
O combate à violência é um pacto coletivo, exigindo que os homens assumam um papel ativo no enfrentamento à violência de gênero. Buscando orientação e auxílio antes que o pior aconteça. Pensando mais no outro. Buscando domínio próprio.
- Informação!
Esteja atenta aos sinais de relações violentas e tóxicas. Perceba o ambiente ao redor. Encaminhe as pessoas para os serviços de apoio. Compartilhe os canais de denúncia (180, 190) e as leis de proteção (Maria da Penha)
- Ajude a proteger vidas!
A melhor celebração, neste 8 de março, é o compromisso coletivo pela vida! Que nenhuma mulher seja silenciada. Que possamos reduzir a violência doméstica e o feminicídio. Esse é um chamado por igualdade, segurança e dignidade! Para todos!
